Ao entrar na floresta senti uma presença estranha.Uma...presença pouco comum.Alguém que não costumava andar por aqui.Alguém conhecido,além de mais.
Uns metros mais á frente,comecei a ler uma mente.Michael Kilborn.Nele,eu via um amigo,um colega,e houve tempos em que via algo mais.Ele sempre me cativou.Chamou á atenção.
-Michael!-gritei para a floresta.
Por entre ás árvores,uma figura robusta apareceu.Michael.Não mudou nada.
-Abbie!Não mudaste nada.
-Tu também não,Michael.O que fazes aqui?
-Caço.E tu?
-Também.Vamos caçar juntos?
-Sim,claro.
Corremos juntos pela floresta e fomos dar a um prado.Era lindo.Caçámos e no fim sentámo-nos na ponta daquela falésia.Ele atirou-se lá para abixo,para uma saliência que havia na pedra.Ao principio assustei-me,mas depois vi a saliência grande e espaçosa,coberta de terra,areia e erva.Decidi atirar-me também.Mas tropecei numa pedra e caí mal.Mas Michael apanhou-me,mas acho que,de propósito,ele nos deixou cair aos dois para o chão.Enquanto continuava deitada em cima dele,ele olhava-me com aqueles olhos dourados que sempre foram o que me fazia olhar para ele antes de o conhecer.
-Uum.Se calhar eu devia sair de cima de ti.-disse eu,envergonhada,como se pudesse corar.
-Eu não me importo que fiques aí.És mais leve que uma pluma.-ele ainda era aquele atrevido maroto.
-Sim,eu até ficava,mas...-ele silenciou-me pousando os seus lábios nos meus.Eu queria acabar com aquilo,mas,uma parte do meu corpo queria que aquilo acontecesse,por isso não o acabei.Ele continuou,primeiro suave,e depois mais urgente.Depois pôs um fim áquela cena.
Eu abracei-o.Eu não queria que isto se tornasse um namoro sério,nesta altura eu não queria uma relação.Queria uma pequena brincadeira como esta.
-Isto significou alguma coisa para ti?-perguntou Michael.
Tive que reflectir sobre aquela pergunta.Eu sabia bem que não,mas esta era uma oportunidade de sonho.Eu sempre gostei «gostei» dele,mas ele tinha uma namorada.Anne Margaret Simmons,humana.Ela era deslumbrante,e eu morria de inveja dela na altura.Agora que não tinha ninguém,eu podia agarrar esta chance.
-Eu...eu não sei.-levantei-me e sacudi a terra da minha roupa.-Eu acho que significou alguma coisa,mas não muito.Eu sinto-me como o segundo prémio da competição.Agora que a Anne morreu tu voltas para mim.Isso não me faz sentir bem.
-Ouve,Abbie.Eu,lá no fundo,sempre gostei de ti.Não queria magoar a Anne,por isso fiquei com ela.Foi triste saber que a doença de Huntington que ela tinha a matou,mas eu também senti uma réstia de alegria por saber que finalmente podia vir ter contigo.
Não respondi e olhei para a parte debaixo dos seus olhos.Olheiras,das grandes.Quando ele era humano,dormia pouco e ficou com aquelas marcas noctívagas quando foi transformado.Sempre achei que lhe davam um ar...não sei bem a palavra para descrever.Eu diria,quente.Eu sei que ele é frio,mas,eu quero dizer quente da mesma maneira que os americanos dizem «hot».Escaldante.
-Está bem,este pode ser o começo de alguma coisa.-afirmei.-Mas dá-me um tempo para pensar nisso.
Voltei para a floresta e deitei-me no topo de uma árvore,a pensar dificilmente.

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