Ao sair do quarto, já todos estavam á espera. Fui abraçada até não poder respirar por toda a gente. Quando chegou a vez de Carlisle, ele sussurrou:
-Fizeste a escolha certa, maninha.
-Eu sei. - respondi.
E pronto, a noiva e as raparigas são muito chegada em todos os casamentos .O grupo feminino da família subiu para o segundo piso e os rapazes esgueiraram-se para a sala de estar.
-Deixa ver! -disse Renesmee, impacientemente.
Mostrei-lhe o lindo anel que tinha no dedo. Não contrastava bem com o dos Volturi, por isso, quando ainda estava no quarto, guardei-o numa mala bem fechada.
Alice aproximou-se com um bloco de notas na mão.
-Quero saber tudo a nível de decorações, paletas de cores, lista de convidados, e data. Oh, e o sítio também vai ser útil. -disse, numa fala tão rápida que eu mal percebi.
-Alice..-comecei -Ainda faltam dois meses. Tens tempo para isso depois.
Mas é claro que eu já tinha aquela lista de detalhes que Alice queria a formular na minha cabeça. Eu sou uma rapariga, e o meu sonho estava prestes a realizar-se!
Umas horas depois,fui para o meu quarto para uns momentos de reflexão. Peguei no livro que estava a ler, «Conclusões» de uma autora pouco famosa. O texto deixou-me encantada:
"Sabia que um dia isso ia acontecer. Sabia que teria de ouvir tudo o que tinhas para dizer, mas nunca esperei aquilo que foste capaz de fazer. O meu coração andava às voltas e voltas, eu não o sentia. Acordei várias vezes de noite com pesadelos a pensar naquilo que disseras, mas algo me impedia de te esquecer. Algo muito forte, muito poderoso, como se me quisesse ver ao pé de ti e não soubesse que não era possível. Era o meu amor por ti – tu eras alguém que eu queria mais que tudo na vida e desprezaste-me. Não sei se foi para impressionares os teus amigos ou porque simplesmente não gostavas de mim, mas era impossível resistir àquilo tudo. Comecei a ficar sem ar quando pensava em ti e tudo o que eu queria era voltar atrás no tempo e nunca te ter conhecido. Gostava de poder controlar as coisas que não consigo controlar. Sim, é verdade. Tenho medo daquilo que não consigo controlar. Mas serei menos na vida por causa disso? Corajoso é aquele que sabe reconhecer que tem medo. Tu eras me tudo até aquele dia. Parecia que víamos pelos mesmos olhos, sentíamos pelo mesmo coração, mas nunca, nem sequer gostaste de mim. O amor pode ser a melhor coisa do mundo, mas também se pode tornar a pior. O amor persegue-nos como um gato à procura do rato, sempre à espera de acertar nalgum infeliz que por ali passe calmamente. Mas este texto todo para quê? Para dizer – não confies em ninguém a não ser em ti próprio, e acima de tudo, não confies no AMOR.”
Pura poesia, mesmo que estivesse escrita em prosa. Esta «poeta» guardava na alma profundos pensamentos. Sempre admirei os seus livros. O seu nome é pouco reconhecido. Eu arranjei estes livros á procura de algo decente para ler. E esta autora sabia do que estava a falar. Eu sabia que, um dia, esta escritora viria a ser importante. Acho que já havia um número razoável de leitores .E eu admirava completamente este lindíssimo livro. Este maravilhoso parágrafo descrevia Michael, nos tempos em que Anne Margaret era a sua mais querida. Funguei. Já que não podia chorar, esta era a única maneira de me sentir triste. Teria que conhecer esta escritora. Ouvir as suas inspirações. Sabia que seria praticamente impossível, mas arranjaria maneira de a conhecer. De uma maneira ou outra.
Saí do quarto. Edward quase que chocou contra mim.
-Eu também a admiro.
-Fico feliz por saber que não sou a única. - disse.
-Os textos são de facto ternos e muito preciosos. Não a poderia comparar a um William Shakespeare, nem a um Robert Frost. Ela supera-os a todos, facilmente.
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Passaram dois, três dias. A casa era calma e monótona. Entre os meus momentos íntimos com William e as conversas familiares com os amigos, arranjava sempre um tempo para olhar para o tempo chuvoso lá fora. Enquanto a chuva batia na janela, ouvi um carro a chegar e li uma mente desconhecida. Essa mente era profunda ,imaginativa e suave .Caminhei calmamente para o hall de entrada e deparei-me com uma figura humana, á frente de Edward.
Era simplesmente bela .Alta, elegante. Os seus cabelos não eram muito compridos nem muito curtos. Os seus olhos castanhos tinham á frente uns óculos. O cabelo, castanho, caía-lhe pelas costas .Humana. Nem pálida nem morena .A definição perfeita de uma humana. Edward apresentou-ma.
-Abigail ,esta é a autora dos teus adorados livros.
-O meu nome é Maphy Rodd.
-Eu sou a ...
-Abigail Cullen. O teu irmão falou-me de ti.
«Irmão?»pensei ,para Edward.
«Nós não parecemos muito tia e sobrinho»pensou ele de volta.
-Abigail ,o Edward falou-me em como gostarias que eu te explicasse o que me inspira. Vamos falar um pouco, a sós.
-Claro. Por favor ,siga-me.
Fui á frente e indiquei-lhe o meu quarto .Ao entrar, ela caminhava delicadamente e acabou por se sentar num dos cadeirões.
-Abbie,insisto que me trates por tu.Eu só tenho 20 anos.
-É claro,Maphy.
-Oh,e obviamente,o Edward não é teu irmão.É teu sobrinho.
-Como é que sabes?-perguntei surpreendida.
-As palavras dele.Não te conhece tão bem como irmã.E fala como se fosse adoptado.Por isso,suponho que o teu irmão verdadeiro o tenha adoptado.
-Sim...
-E outra coisa...Vocês são vampiros.
-Tu não devias saber isso.Pode arranjar-te problemas.
-Os Volturi não são problema.Sou da família do Aro.Ele tinha uma irmã humana,que deve ser a minha tetra tetra tetra tetra avó.Visito-os com frequência.É em Itália que escrevo os meus livros.Andas a ler o «Conclusões».
-Sim,é dos meus livros preferidos.
Ela tocou no livro e ergueu-o com uma mão.
-Foi bom escrevê-lo.-comentou.
-Onde é que arranjaste as inspirações,Maph?O que te fez escrever isto?
-Desgostos.Vi tantos.E sofri alguns.Não vivo para ser ilusionada pelo amor.
Se calhar não era muito boa ideia dizer-lhe que me ia casar.Mas,saber o que achava uma mente brilhante sobre o facto de eu me ir casar ia ser muito importante.
-Eu vou-me casar daqui a dois meses.
Ela suspirou.
-O terrível compromisso da vida.Sejamos verdadeiras,nesta conversa.É isto que queres?
-Sim.Eu amo-o mais do que tudo.
-E tens a certeza que ele te ama?
-Sim.Como vampira,ganhei um dom de ler pensamentos.Consigo ver o quanto ele me ama.Ele ia-se matando só por eu já não o amar.Acho que o maor é isso.
-O amor é um sentimento lamechas e enganador.
-Se calhar só o dizes por nunca ter encontrado o verdadeiro.Já conheci o tipo de rapazes que te provocaram este tipo de desgostos.
-Não.Simplesmente acredito que os humanos só têm uma vida e que não a devem passar agarrados e comprometidos a uma relação fechada.Eu defendo esse tipo de liberdade.
-Pois,mas eu já vivi mais de 500 anos e,tenho de enfrentar o facto de que já me diverti imenso.Mas eu percebo o teu ponto de vista,Maph.
-Esclareci as tuas dúvidas.Agora,tenho de regressar.
-Vemo-nos no meu casamento?
-Vou ver se arranjo uns trapos decentes.-sorriu.
Eu também sorri e acompanhei-a á porta,onde Edward já a esperava,também a sorrir.Os dois saíram e foram para um carro.
Eu deixei-me cair para trás,onde já sabia que William me esperava,de braços abertos.
-Aquela era a Maphy Rodd?
-Sim.Ela é muito simpática.Convidei-a para o nosso casamento.-pus um certo ênfase na palavra nosso.
Will beijou-me apaixonadamento,e levou-me até ao quarto,a uma velocidade incrível,mas ainda aos beijos.Acho que não gostava de ser aquela pobre porta de madeira forte que estava caída no chão.Ás vezes,deixamo-nos levar,pensei.
-Deves ao Carlisle uma porta nova.
-Oh que pena...Agora que já não há privacidade de ter uma porta á frente do quarto,já não posso pôr em prática os meus planos...
-Uuuuh...
Pensei durante um pouco e fui buscar umas coisas á garagem.Rapidamente moldei uma porta de fraca madeira,mas que havia de servir para uns tempos rápidos.
-Pronto,ainda deves a tal porta,mas agora tens mais tempo para a comprar.
-E melhor ainda...
-Podes exercer o que tinhas planeado.-sorri.
-Espero não partir mais nada pelo caminho e durante...
Silenciei-o com um beijo forte e fomos para o interior do quarto.

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